Nome Próprio
Enviado em 17 de Agosto de 2008
Publicado por Bruno | Enviar por e-mail
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(Não aconselhável para menor de 16 anos)
Para quem pensa que o filme fala sobre blogs e blogueiros, se engana. É claro que o blog é parte integrante do filme mas não é, nem de perto, o que tem de melhor nele. Só para dizer que eu não analisei o blog, ele serve no filme, não só como aparelho de comunicação, mas como uma forma de exorcismo dos tormentos que rondam a cabeça do autor. Esse exorcismo é tão forte que acaba rompendo com o real, tornando-se ficção ou fuga. O que eu estou querendo dizer é que, ao escrever, o autor vira, querendo ou não, personagem. E o personagem que escreve vira autor. Confuso né? O que importa é Nome Próprio conta a estória de quatro pessoas diferentes no corpo de uma, Camila. As outras são a própria Clara Averbuck, dona do blog, sua personagem de brasileira!preta que eu nem sei o nome e é claro, Murilo Salles criador de Camila. Inspirados neles, através do filme, lanço aqui o personagem Bruno que vos escreve. Bom, chega de blog.
Importante mesmo é que esse filme lança uma nova mulher no cinema pop, na verdade, uma mulher que já existe faz algum tempo. Uma mulher que passou pela histeria, revolução feminista, sexo tabu e tenta se encontrar agora na confusão que gerou. Isso mesmo, confusão é o que se passa com Camila. Ela tenta ao mesmo tempo seguir seus impulsos intensamente para não deixar de ser mulher, mas corre atrás do que quer. Parece “A ponte do rio que cai”, enquanto tenta chegar do outro lado da ponte, vai tomando boladas de seus impulsos, dessa forma ela fica com o namorado da amiga, fica com outra amiga, fica com um muleque que ela não gosta só por vingança, trai o homem que ama e se apaixona em segundos. As cenas de cada um desses acontecimentos são obras primas, muito bem elaboradas.
O que intriga em Camila é que ela é honesta, sincera e segue o turbilhão de suas emoções sem medo. Isso deveria ser o lema ético de todas as pessoas, porém, o que o filme mostra é que a sustentação do lema tântrico exige bebidas e drogas. Mais um paradoxo existêncial, somos seres sociais e civilizados dentro da gangorra das emoções.